Esse prato fiz pro meu almoço/jantar de hoje e juro que não pensei nele com antecedência. Ele acabou acontecendo meio sem querer, tomou forma sozinho e se materializou ali no meu fogão. Ficou tão, mas tão bom, que eu acho que deveriam canonizar as alcaparras e as azeitonas pretas. Aliás, como já disse antes, deveria ser proibido fazer molho de tomates sem essas duas belezuras!
Tinha em casa um corte lindo de steak argentino e minha idéia era prepará-lo na grelha, acompanhado de umas batatinhas que aprendi a fazer com Jamie Oliver e que já estão virando “de casa”, de tanto que fazemos por aqui. Porém quando fui me servir achei o steak muito tristinho e o prato meio sem cor… Então apelei pro poder mágico dos molhos e num livro de receitas que trouxe da nossa viagem a Veneza (comprado num sebo lindo de tudo!) achei essa receita de Fettine alla Pizzaiola, que nada mais é do que bife com molho de tomate. Simples assim!
Só que o livro do sebinho é bem bom e o molho da receita era caprichado: levava tomates, alho, azeite extra virgem, vinho tinto, azeitonas pretas e alcaparras (que eu, por sorte, tinha comprado para fazer uma pasta alla putanesca – prometo passar a receita depois!). Tomate, tinha uns fresquinhos na geladeira. Alho? Há menos de uma semana fiz dois potões de tempero caseiro de alho, cebola e sal, super concentrado e simplesmente delicioso! Vinho tinto? Opa, temos o delicioso Masi Campofiorin que sobrou do almoço de Páscoa!
Então, com todos os ingredientes em casa, resolvi incrementar meu já delicioso almoço e acabei degustando um prato inédito pra mim – e de tão bom, mereceu registro (ou vocês acham que saio fotografando qualquer pão com mortadela que como por aqui, rs?)
INGREDIENTES:
- corte de filé bovino (eu fiz com um corte grosso de steak argentino que já tinha em casa mas você pode usar o que tiver por aí: bifinhos de alcatra, contra-filé, etc)
- 5 batatas pequenas (lavadas, porém com casca)
- 1 tomate grande e maduro
- 8 azeitonas pretas (sei que dá mais trabalho, mas as que compramos a granel com caroço são infinitamente mais saborosas que essas de latinhas/potinhos já descaroçadas)
- 3-4 alcaparras
- 1 colher de sopa de tempero alho e sal (aqui você pode substituir por 2-3 dentes de alho cortados em rodelas)
- 1 “dedo” de vinho tinto
- 1/2 limão
- azeite extra virgem
- 1 raminho de alecrim fresco (nunca fiz com o desidratado mas deve dar certo)
- sal à gosto (eu uso flor de sal, não sei se é cisma minha mas o sal refinado daqui não salga nada, rs)
- pimenta do reino à gosto (gosto da moída na hora mas aquela que já vem em pozinho funciona também)
- orégano seco, também à gosto
MODO DE PREPARO:
Primeiro preparamos as batatas, que vão dar um pouquinho mais de trabalho.
Depois de lavadas, cortamos as batatas em 4 (ou mais pedaços, se estiver usando batatas grandes) e colocamos em uma frigideira média, com água suficiente para cobrir as batatas (truque que aprendi com Jamie Oliver: ferver a água previamente com um ebulidor – ou mesmo no microondas, para acelerar o processo). Deixe as batatas cozinhando a fogo médio e nesse meio tempo tempere a carne e deixe a grelha esquentando no fogo – ela tem que estar estupidamente quente! Ah, quando digo grelha é aquelas frigideiras tipo grelha, com ranhuras, sabem quais?
No meu caso, tinha em casa um corte de steak bem grosso, então preparei como os chefs chamam de “steak butterfly”, que nada mais é do que cortar o filé ao meio, como se fosse obter dois bifes mais finos porém sem separá-los completamente, de forma que fica parecendo umas asinhas de borboleta (gente, quanto nome pomposo para coisas tão simples, né?). Para temperar o filé usei simplesmente uma pitada generosa de sal e pimenta do reino + azeite de oliva extra virgem. Essa, por sinal, é uma dica ótima: nunca coloque o azeite diretamente na grelha, a não ser que queira “enfumaçar” toda a sua cozinha. Unte os bifes com azeite, salpique o sal e a pimenta e deixe descansar para pegar o sabor.
Nesse meio tempo, refogue 1/2 colher de tempero de alho e sal com uma colher de azeite em outra frigideira. Quando o alho estiver dourando, acrescente o tomate picado, com casca, semente e tudo! Acrescente também um pouco de água, para ajudar a criar o molho (vá com cuidado, espere até ver quanta água o tomate vai soltar). Quando o tomate começar a se desfazer, acrescente o orégano, as alcaparras e as azeitonas já picadas (e sem caroços, claro). Deixe cozinhando a fogo baixo e volte às batatas, que já devem estar no ponto!
Sobre as batatas: essa receita é basicamente aquela de batatas sauté, que todo mundo que gosta de cozinha sabe fazer (rimou, rs). Então não deixe as batatas cozinharem demais, ou quando for salteá-las elas vão desmanchar. A idéia é que elas fiquem cozidas, mas ainda um pouco durinhas. Verifique o ponto das batatas e se já estiver ok, escorra a àgua e volte com as batatas para a mesma frigideira que estava usando antes, diretamente para o fogo. Acrescente uma boa dose de azeite (acho que umas duas colheres de sopa serão suficientes), o raminho de alecrim e a 1/2 colher restante de tempero alho e sal. Daí colega, você terá que saltear as batatas. É muito divertido e no começo desastroso. Mas se eu consigo (não se esqueçam, sou a “sloppy chef”) você também conseguirá! Se ficar com medo, use uma colher para ir virando as batatas de vez em quando, com cuidado, para que não desmanchem. A ideia é de que elas fiquem envoltas em azeite e alho e que comecem a dourar, até ficarem “queimadinhas”, como as da minha foto aí em cima.
Agora, enquanto as batatas estão dourando e o molho apurando, é hora de levar o bife à grelha, que estará mega mega quente – é muito importante que esteja “pelando fogo”, para selar bem a carne e não deixar que ela perca água e fique seca e endurecida. Coloque o bife delicadamente sobre a grelha e espere até aquele cheiro delicioso de carne assando invadir sua cozinha, rs. O tempo de grelha vai variar de como você gosta da sua carne (mal passada, ao ponto, sangrando, esturricada, etc) e também da espessura do bife, claro. Eu gosto do que os chefs chamam de medium rare, que é aquela carne com o centro vermelhinho e bordas mais escuras. Para isso, normalmente deixo os bifes grelhando por 1 minuto de cada lado (não virem o bife o tempo todo, isso só faz com que ele resseque e fique borrachudo). Ah, lembrando, os meus cortes ficaram com aproximadamente 1 dedo de espessura depois do tal corte “butterfly” (ou seja, se seu bife for mais fino ou mais grosso, você terá que regular o tempo de acordo).
De volta ao molho, que está quase pronto, já bem grossinho! Acrescente o vinho e deixe o álcool evaporar – aproveite para provar e acertar o ponto de sal (aqui eu também gosto de colocar um pouquinho de pimenta do reino). Pronto! Já temos molho!!!
Nessa hora, pelos meus cálculos, a batata também já estará pronta. Ops, não! Falta o pulo do gato! Justo antes de tirar as batatas do fogo, esprema sobre elas (ainda na frigideira) o suco de meio limão (eu aqui uso aquele amarelo siciliano, mas é por falta de opção, porque o limão verdinho é caro demais – imagino que fique ainda mais gostoso com ele, por ser mais ácido). Deixe evaporar um pouquinho, acerte o sal e eccoci qua!, também já temos batatas! O truque do limão é demais, acreditem! Dá nova vida às batatinhas sauté!
Agora a carne também já está pronta, então é só montar o prato: de um lado as batatinhas, do outro o filé e, por cima deste, o delicioso molho.
Prontinho! Agora você vai poder dizer orgulhoso que preparou um delicioso Fettine alla Pizzaiola – ou um bifão com molho de tomate mesmo (pra quê cerimônias, né?)
Espero que esteja tudo bem explicado! E me desculpem pelo post gigante, sou prolixa mesmo!
Soundtrack: Sinnerman | Nina Simone
(foi o que eu ouvi enquanto cozinhava hoje, rs)





